Apresentação dos ingleses gerou um dos momentos mais marcantes da história do evento
De todos os Lollapalooza Brasil, poucos tiveram a oportunidade de presenciar uma conexão tão grande entre público e artista como a vista no show do Mumford and Sons este ano. Pela primeira vez no país, os ingleses tocaram durante uma hora e meia e emocionaram milhares de pessoas do Palco Ônix com seus hinos de folk-pop.
Do início ao fim, fosse a música lenta ou agitada, a plateia parecia devota ao grupo, que sentiu a energia e estava visivelmente impressionado com a resposta. “Em oito anos de carreira, eu nunca vi uma plateia como essa”, disse o tecladista Ben Lovett. A cada final de música era possível notar os integrantes se olhando, admirados com a força com que as pessoas cantavam não só hits como Little Lion Man ou Believe, mas outras menos conhecidas como Babel, Dust Bowl Dance e The Cave.
Faixas dos três discos do Mumford permearam o setlist, Sigh No More, Babel e Wilder Mind, respectivamente. Os dois primeiros são calcados nas baladas folk sem guitarra e pouca bateria, enquanto o terceiro conta com guitarras mais rasgadas – o que representou uma mudança bem drástica na carreira da banda. E isso fica evidente no palco, em um bom sentido. Se o grupo cantasse somente as músicas dos dois primeiros, a apresentação tomaria cara de um culto pop country (de boa qualidade); mas com músicas como Tompkins Square Park, Ditmas, Believe e The Wolf, o Mumford and Sons assume uma atitude mais enérgica no palco e se tornam quase rockstars no palco – com direito a derrubar bateria, jogar microfone longe e tirar a camisa, arrancada pelos fãs na grade.
Na última parte do show, o vocalista Marcus Mumford chamou a fã Isabel para o palco. Ele falava em inglês e ela traduzia as falas recorrentes de artistas que chegam ao país pela primeira vez. “Vocês são incríveis”, “Nós amamos o Brasil” e por aí vai. Outros dois momentos marcantes do show foram os de “Believe” e “I Will Wait”, esta segunda uma das três músicas do bis. A primeira é a mais pop e eletrônica das canções do Mumford e ganhou uma performance a altura do público, que levantou os celulares para fazer um mar de lanternas no morro do palco Ônix. A segunda também obteve um coro da plateia, além dos gritos rasgados de Marcus, que ao fim da música sorria para os companheiros.
No palco, Marcus e seus companheiros conseguiram dominar o público não só com as canções, mas também com a força da performance. Era notável que as músicas do novo disco eram menos conhecidas, pois pessoas conversavam na plateia – e ainda assim, os quatro ingleses suavam e pulavam como qualquer outro hit de Babel ou Sigh No More. Marcus, o líder, a não ser pelas conversas, dispensa as interações com o público e apenas foca no show – esteja ele na bateria, na guitarra, nos vocais ou no violão. Missão cumprida. O show do Mumford and Sons no Lollapalooza 2016 entra com folga na galeria dos melhores da história do evento no Brasil.



